quinta-feira, 19 de abril de 2012

Educação financeira

O Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá iniciou nesta semana uma série de palestras para ajudar a categoria e a quem tiver interesse em se educar financeiramente.
Descobrimos que muitos companheiros e companheiras se tornaram reféns de financeiras, de gerentes de bancos e de empresas de cobrança ao não conseguirem acertar, como pretendiam, os créditos que lhes foram abundantemente oferecidos.
Convidados o Instituto Justiça do Consumidor que nos trouxe especialistas em direito do consumidor e em planejamento financeiro para mostrar para nossos associados quais são os direitos que lhes amparam e como negociar dívidas em atraso, sem perder a dignidade.
A iniciativa é importante pois faz parte da missão de nossa entidade sindical proteger a renda da nossa categoria. E descobrimos, no debate com os especialistas, que na maioria das cobranças em atraso as empresas adotam os juros sobre juros, que é ilegal. E que tentam intimidar individualmente os consumidores em dívida, para arrancar o maior valor possível.
Nos foi relatado também, pelos companheiros e companheiras presentes, a atitude ilegal de alguns bancos que metem a mão nas contas dos trabalhadores. Ficou bem claro pelos especialistas presentes que é absolutamente ilegal realizar quaisquer tipos de descontos na conta salário.
Mas muitos bancos por saberem que não podem mexer na conta salário induzem seus correntistas a abrir uma conta normal, com direito a cartão de crédito e até mesmo cheque especial.
E, nesse caso, podem efetuar todo e qualquer desconto de juros de cartão de crédito ou do cheque especial.
Fique, portanto, em alerta. Verifique se sua conta no banco é conta salário mesmo. E em caso de ser pressionado por qualquer banco ou empresa de cobrança procure ajuda de sua entidade sindical. Aprenda a gerenciar a seu favor os créditos que te oferecem sem perder a dignidade jamais.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

terça-feira, 10 de abril de 2012

Querem detonar Previdência e o SUS

O Brasil se moderniza a cada dia. Para muitos brasileiros (e brasileiras) essa modernização gera comparações com os ditos países do primeiro mundo.
E tem muito a ver com uma melhor distribuição de renda, comprovada pelo fato de que a diferença entre os salários mais baixos e os mais altos, dentro de uma mesma empresa, estão diminuindo cada vez mais. O que é muito bom.
Temos tido ganho de renda ao combinar os salários, aposentadorias e pensões que sofreram um impacto positivo com os continuados aumentos reais do salario mínimo.
Mas...
Os grandes grupos econômicos mundiais estão de olho em nossa economia interna. E além de empurrarem mercadorias e quinquilharias para nosso mercado interno, estão de olho, também na reformulação das nossas aposentadorias e na precarização dos nossos serviços médicos.
O que esses grandes grupos internacionais querem, e trabalham ferozmente para conseguir seus objetivos, é detonar de vez a saúde pública brasileira. Que já é bastante precária e substituí-la por um sistema pago que quase que arruinou a vida dos trabalhadores e cidadãos norte-americanos. Lá nos Estados Unidos ou você paga convênio ou nem mesmo é atendido pelos hospitais mesmo em casos graves.
De quebra, querem que o governo brasileiro rompa, unilateralmente, os acordos confirmados pela nossa Constituição, que nos garante aposentadorias depois de uma contribuição de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres.
O que os grupos econômicos internacionais querem é que entreguemos nossas vidas para o sistema produtivo e que sejamos obrigados a trabalhar até a véspera da morte. E que sejamos obrigados a complementar nossas aposentadorias através da Previdência Privada.
Se nada fizermos, esse pessoal vai acabar impondo suas vontades. É importante que estejamos alertas e dispostos a exigir uma posição clara dos nossos políticos na defesa e proteção da nossa Previdência e da nossa Saúde Pública, que mesmo precariamente, se sustenta através do SUS – Sistema Único de Saúde.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

terça-feira, 3 de abril de 2012

Futuro jogado nas ruas

Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá tenho tido a oportunidade de visitar e conhecer alguns países do mundo. Quando viajo para os países mais desenvolvidos, em vez de me concentrar nas lojas dos shoppings, prefiro me dedicar às pessoas e tentar entender porque, em condições semelhantes ou piores que as nossas, pois muitos passaram por grandes guerras, conseguiram um grau de desenvolvimento social e humano que pode nos servir de exemplo.
Descubro, a cada viagem, que os povos que mais se recuperam e reconstroem suas nações, mesmo depois de intensa participação na 2a Guerra Mundial por exemplo, são povos que protegeram sempre suas crianças, em todos os níveis sociais.
Na Inglaterra, por exemplo, uma criança que for abandonada por seus pais é encaminhada para centros de apoio, onde têm acesso a saúde e escola. Ou são entregues para o cuidado de outras famílias em condições comprovadas de adoção.
Nos Estados Unidos, nas cidades que já visitei procurei e felizmente não encontrei uma criança sequer nas ruas. E as crianças que vi estavam sempre acompanhadas das mães, principalmente, ou dos casais. E em cada bairro vi espaços destinados ao lazer e à educação infantil.
O que esses países nos mostram é que compensa investir no futuro. E aqui no Brasil, infelizmente, sabemos que temos mais de 2 milhões de crianças nas ruas, de um total de 8 milhões de meninas e meninos abandonados por suas famílias.
Estamos, na verdade, jogando fora nosso futuro.
Ao deixar que nossas crianças sejam abandonadas no meio do trânsito, sujeitas a todos os perigos e, obrigadas, a se entregar ao crime organizado para terem uma mínima chance de sobrevivência.
Enquanto, como sociedade civil, como dirigentes políticos e comunitários, nada fizermos, somos cúmplices dos que jogam o futuro do Brasil no meio da rua. E é para chamar a sua atenção que voltarei sempre a esse tema e ao mesmo tempo mobilizo meus companheiros e companheiras do Sindicato, nossos aliados dos partidos políticos e do Congresso Nacional para, pelo amor de nossa Pátria, colocar um fim a tanto desperdício do futuro de nossa Nação.
E você, meu amigo e minha amiga, o que tem feito? O que acha que deva ser feito?
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

segunda-feira, 26 de março de 2012

O futuro das nossas crianças

Nossos meninos e meninas estão cada vez mais atualizados. Basta alguns minutos com um computador e já entendem de tudo e nos ensinam coisas que nunca imaginávamos ser capazes de aprender.
Mas para que nossos jovens tenham acesso ao computador, nós que batalhamos ainda com velhas ferramentas, que estranhamos os celulares que usamos, temos que ir até a loja, comprar os equipamentos modernosos para que nossos meninos e meninas tenham uma chance mínima para treinar seus novos atributos sociais.
Uma criança sem acesso digital é praticamente analfabeta. Nós, pais, sabemos disso. Daí o nosso esforço que já foi percebido pelas agências de propaganda que nos bombardeiam o dia inteiro com ofertas de computadores, laptops, ipads e outros bichos.
Os políticos oportunistas também já perceberam que esse acesso à tecnologia faz parte de nossas preocupações. E começam a incluir nos seus discursos a escola digitalizada, um computador por aluno. Chegam até mesmo a oferecer tablets.
Uma pena tratarem com tanta irresponsabilidade uma necessidade vital para a construção do futuro de nossas crianças. E o que tememos é a reprodução mais uma vez do fosso que separa os filhos das famílias abastadas, que praticamente nascem com um chip no berço e as nossas crianças que dependem do nosso investimento direto para terem como treinarem suas habilidades com os meios eletrônicos e digitais.
Mas nós temos o que mais interessa à elite: votos digitais em massa. E vamos usar esse nosso acesso digital às urnas para impor nossas vontades. Ao longo desse ano vamos conversar com nossos filhos e pedir ajuda deles nos seus relacionamentos com os facebooks da vida para nos ajudar a identificar os políticos que têm algum comprometimento com a educação digital.
Juntos e em família, faremos a seleção dos que pretendem ocupar cargos públicos e verificaremos quais são seus verdadeiros compromissos digitais.
Pois da mesma maneira que não se conseguia alfabetizar crianças na nossa época sem ter acesso aos cadernos e cadernos de caligrafia, hoje em dia, todos são sabedores, inclusive os políticos e candidatos, que sem uma boa infra-estrutura digital, com acesso a bons computadores e a redes de internet de banda larga, que excluiremos grandes contingentes de jovens das oportunidades no futuro.
Claro, que essa grande maioria de excluídos serão filhos de trabalhadores e do lado mais pobre da população. Mas ainda temos tempo de reagir fazendo valer nossa cidadania digital.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

O drama da desindustrialização no Brasil

De cada quatro produtos consumidos no Brasil, um é importado. Gerando empregos, rendas, lucros e impostos para outras nações. O setor de autopeças, um dos principais geradores de emprego em Santo André, Mauá e no Grande ABC, que tinha superávit em 2004, registrou no ano passado um déficit de US$ 7 bilhões.
Enquanto isso, muitos portos brasileiros escancaram suas portas, concorrendo uns com os outros através da cobrança diferenciada e menor do ICMS para atrais importadores.
Resultado: em 2011 o déficit da indústria manufatureira chegou a US$ 90 bilhões e pode ser ainda maior em 2012.
Diante desse cenário, o governo da presidente Dilma Rousseff consegue baixar os juros, com uma excelente redução de 0,75 pontos na Taxa Selic, nos levando para patamares de juros de 9,75% ao ano.
Mas se os juros não se transformarem numa cultura de investimento produtivo, se deixarmos bancos e agentes de crédito, entre elas as empresas de factoring, continuarem a agir acima do controle do Banco Central, cobrando os juros finais que bem entenderem, vai ser uma na cruz e outra na ferradura.
Ou seja, a sangria de nossos empregos tenderá a continuar e a aumentar; a indústria ficará cada vez mais anêmica e vamos, por enquanto, transferir nossas riquezas para as economias asiáticas, norte-americanas e europeias.
É hora, portanto, de agir enquanto ainda temos vinculações com nosso setor produtivo e exigir atitudes políticas e econômicas que além de reduzir os juros na ponta das empresas nacionais, crie incentivos para ampliar a produção de bens e produtos nacionais, reforçando a indústria nacional e nossos empregos.
Achar que se trata de um problema do setor patronal, apenas, é dar um tiro no pé. É hora de unificar, nacionalmente, em 4% o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado dos produtos importados e resgatar o que aprendemos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: colocar os interesses da Nação brasileira acima dos imediatismos de Estados, de categorias profissionais ou de grupos empresariais.
O Brasil somos nós unidos. Mantendo nosso acesso ao emprego e renda, para garantir assim o mercado interno que tem tudo a crescer caso os juros se reduzam, de verdade, para os consumidores finais e para as empresas que queiram investir na produção.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Mulher, mãe, companheira

Está chegando mais um Dia Internacional da Mulher, que registramos em 8 de março para relembrar o massacre que aconteceu no dia 25 de março de 1911, nos EUA, na Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica têxtil que ocupava do oitavo ao décimo andar de um prédio, e que empregava 600 trabalhadores.
A maioria eram mulheres imigrantes judias e italianas com idade entre 13 e 23 anos. Parte dos trabalhadores conseguiu chegar as escadas, descendo para a rua ou subindo no telhado. Outros desceram pelo elevador.
O fogo e a fumaça aumentaram e muitos trabalhadores desesperados pularam pelas janelas e algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Na tragédia 146 pessoas morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens.
Da tragédia surge então o Dia Internacional da Mulher. Que a gente usa para homenagear as mulheres, as companheiras e as mães de nossos filhos.
Fonte de vida, as mulheres são essenciais para o futuro da humanidade, determinantes para a sobrevivência de nossas famílias, absolutamente imprescindíveis na manutenção do tecido social que é costurado a partir de nossos lares.
Mesmo assim, socialmente, ainda não as tratamos com o devido carinho e respeito sociais.
Segundo dados do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – as mulheres correspondem a 41% da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil e mais de um quarto das famílias são chefiadas por elas. Mas nem tudo são flores. Pela pesquisa, as mulheres possuem maior nível de escolaridade que os homens, porém não ocupam funções compatíveis com sua formação, além de ter remuneração menor se comparada ao sexo oposto.
Ou seja, a tragédia que nos ajudou a instituir o Dia Internacional da Mulher continua a queimar oportunidades, a transformarem cinzas o futuro de mulheres que poderiam, porque merecem, ter salários ajustados à sua formação, não fosse ainda, o preconceito, a perseguição e a indiferençaa social com que tratamos as mulheres que são também nossas esposas, nossas mães, nossas companheiras.
Vamos aproveitar o Dia Internacional da Mulher e refletir a respeito.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá

Invasão de autopeças chinesas é ameaça aos nossos empregos

Primeiro, as quinquilharias chinesas nos chegaram há uns 15 anos com as luzinhas chinesas no Natal. Era o início da escalada das importações chinesas, com preços sustentados por mão de obra semi-escrava, com um salário mínimo chinês, recentemente ajustado em 18,6% e que atingiu R$ 302,79.
Os trabalhadores chineses não têm alternativa a não ser aceitarem tal salário mínimo, num país que apesar de investir consistentemente em Educação e Qualificação profissional, mantém os ganhos salariais lá embaixo como estratégia para distribuir mercadorias com baixíssimos preços para o resto do mundo.
Aqui na região do Grande ABC, especialmente em Santo André, tanto empresários como trabalhadores já somos vítimas da invasão chinesa.
Segundo reportagem publicada recentemente na “Folha”, a importação de autopeças da China praticamente triplicou de 2009 a 2011. Saltou de US$ 467 milhões para R$ 1,25 bilhão no período. Em relação a 2010, o crescimento foi de 61,5% e levou a déficit recorde de US$ 1,1 bilhão na balança comercial do setor.
O governo brasileiro tem feito muito pouco para conter a invasão. Apesar de já terem sido acesas as luzes amarelas, quando nos preocupamos com os empregos e, principalmente, com a segurança dos carros que aqui são montados.
O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) vai apertar o cerco contra o comércio de autopeças, principalmente as vindas da China.
O órgão, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, está preocupado com a qualidade das peças usadas tanto na reposição quanto na fabricação de veículos.
Devemos nos mobilizar para uma ação imediata, que deve ir muito além do fator segurança. A invasão das autopeças chinesas ameaça nosso parque industrial e, principalmente, é um ataque direto à empregabilidade no Brasil e, em especial, aqui na nossa região, que investiu ao longo de décadas em indústrias especializadas na produção de autopeças que garantem a segurança dos nossos veículos e os nossos empregos.
Cícero Martinha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá